15 de set. de 2022

Metade dos cearenses sofre com a falta de alimentos ou passa fome


Metade da população do Ceará sofre com a falta de alimentos e passa fome. É o que mostra um estudo da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar (Penssan), divulgado nesta quarta-feira (14).

Segundo o estudo, a população do estado sofre em vários níveis da insegurança alimentar:

- 26,3% da população cearense vive em uma insegurança alimentar grave, quando a família sente fome e não come por falta de dinheiro

- 26,3% dos cearenses vivem em insegurança alimentar moderada, quando há uma redução concreta da quantidade de alimentos e o padrão saudável de alimentação é rompido por falta de comida

- 29,3% sofre insegurança alimentar leve, quando há preocupação ou incerteza se vai conseguir alimentos no futuro

Em parâmetro regional, o Ceará é o quinto do Nordeste em relação a insegurança grave. Fica atrás de Alagoas (36,7%); Piauí (34,3%); Sergipe (30%) e Maranhão (29,9%).

Renda e endividamento

Além do grande número de atingidos pela fome, os pesquisadores constataram que o problema se agravou após a pandemia, com queda na renda das famílias e aumento do custo de vida.

Segundo o levantamento, as famílias com renda inferior a meio salário-mínimo por pessoa estão mais sujeitas à insegurança alimentar moderada e grave. Neste quesito o Ceará aparece na sexta posição no país.

Essa insegurança é verificada, entre os domicílios com esse perfil de renda:

- Acre: em 65% dos domicílios

- Pará: 67,6%

- Maranhão: 72,0%

- Sergipe: 76,5%

- Piauí: 66,1%

-  Ceará: 65,2%

- Rio de Janeiro: 61%

- São Paulo: 58,4%

- Santa Catarina: 65,7%

- Rio Grande do Sul: 64,4%

- Distrito Federal: 63,9%

Rosana Salles, professora do Instituto de Nutrição da UFRJ e pesquisadora da Rede Penssan, aponta que uma parcela significativa da população com renda de até meio salário-mínimo não foi contemplada pelo Auxílio Brasil.

"É uma parte da população que já sofre com a insegurança alimentar. A atual política pública deixa de fora famílias que estariam socialmente elegíveis ao recebimento de uma renda, e que estão em alta vulnerabilidade alimentar”, comenta em nota.

A pesquisa também aponta que a renda, que já vem se mostrando insuficiente para as necessidades básicas, vem precisando estar dedicada, também, aos custos com endividamento.

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